Condomínio Simples

Gestão financeira: Previsão orçamentária do condomínio

Hoje se inicia uma série sobre a gestão financeira nos condomínios, onde será abordado temas como, planejamento, execução, controle e auditoria das contas condominiais. O síndico que deseja fazer uma boa gestão precisa ter em mente que ela é construída em várias áreas, de nada adianta o condomínio ser um mar de rosas no que diz respeito aos equipamentos e a relação entre os moradores, se ele não possui uma boa saúde financeira e sem isso mais cedo ou mais tarde os equipamentos irão se deteriorar e o convívio entre os moradores do condomínio ficará cada vez mais tenso.

 

Planejar o orçamento do condomínio

A primeira parte dessa série será sobre o orçamento condominial, uma boa gestão financeira começa pelo planejamento, o planejamento orçamentário do condomínio é talvez a parte mais importante de toda a gestão financeira, pois um orçamento mal elaborado, seja por não compreender todas as despesas ou por atribuir a estas despesas um valor menor do que o real, possivelmente irá comprometer a administração do condomínio, porque a mesma terá dificuldades para honrar os compromissos ou irá solicitar taxas extras para conseguir pagar todas as despesas, da mesma forma, orçamentos onde os valores das despesas são superfaturados irão sufocar os condôminos com valores excessivos de taxa condominial, é saudável que o síndico possua uma pequena folga no orçamento para cobrir algumas despesas não esperadas, porém isso não pode ser confundido com acúmulo de dinheiro, os condomínios, com exceção do fundo de reserva ou de algum fundo de obra que já tenha sido aprovado em assembleia, não devem acumular em suas contas valores exorbitantes, condomínios que se utilizam desta prática com certeza cobram uma taxa condominial maior do que a devida, o que pode aumentar a inadimplência e provavelmente acabam realizando despesas desnecessárias.

Ao preparar a previsão orçamentária deve ser feito um levantamento de todas as despesas do condomínio, o ideal é considerar a média histórica de cada grupo de despesa, é recomendado que, sempre que possível, essa média seja calculada utilizando os últimos doze meses, assim estará sendo incluindo na média aquelas despesas que sofrem variação em determinada época do ano, como as despesas com água, gás e energia que dependendo do perfil do condomínio podem aumentar ou diminuir nos períodos de final de ano e férias escolares por exemplo, se não for possível utilizar os últimos doze meses, fique atento para as despesas que apresentam variação de acordo com o consumo ou com a quantidade de pessoas no condomínio.

Não esquecer também de incluir as despesas que apesar não ocorrerem mensalmente, são itens obrigatórios ou necessários, como por exemplo a limpeza da caixa d´água, limpeza da cisterna, dedetização, seguro do condomínio, recarga dos extintores, férias, décimo terceiro salário e outras, estas despesas apesar de não serem mensais devem ter seus valores anuais rateados mês a mês.

 

Como calcular o reajuste?

Após ser apurado as médias históricas das despesas deve-se incluir a previsão de reajuste dos valores, afinal está sendo preparado um orçamento que deve ser válido pelos próximos doze meses, para este reajuste podemos utilizar diversos índices, como o IPCA, IGPM, INPC ou salário mínimo, mas devemos ter atenção em alguns detalhes, as despesas de concessão pública, como água e energia geralmente possuem um reajuste superior ao índices, pois dependem de diversos fatores, como estiagem, descontos e desperdícios. Para as despesas com pessoal, que representam a maior fatia do orçamento, o reajuste também não é tão simples, o recomendado é solicitar a sua administradora que lhe forneça a projeção do custo da folha de pagamento para o próximo ano, eles terão que elaborar este custo considerando o reajuste de todas as verbas, como salários, horas extras, insalubridade, descanso semanal remunerado, além de incluir os benefícios como cesta básica, vale transporte, vale refeição, plano de saúde e todos os custos com impostos e taxas referentes ao empregados do condomínio. Essas verbas variam de acordo com as decisões da convenção coletiva firmada entre os sindicatos das categorias.

Procure não aplicar o mesmo índice para todas as outras despesas, analise os contratos do condomínio um a um, eles podem ter índices diferentes, enquanto o contrato de manutenção dos elevadores pode ser reajustado pelo IGPM, o contrato de manutenção dos geradores pode utilizar o IPCA por exemplo.

 

Últimos ajustes: Inclusão de outros itens

Após elaborado o orçamento com a previsão de todas as despesas alguns outros itens podem ser incluídos, alguns condomínios incluem sobre o valor total das despesas um percentual previsto de inadimplência, em vários outros existe a previsão em convenção da constituição de um fundo de reserva, que geralmente é de cinco por cento, consulte os orçamentos anteriores e a convenção do condomínio para verificar se estes itens costumam ser incluídos.

Com uma previsão orçamentária bem elaborada, o síndico já possui uma base sólida para realizar uma ótima gestão financeira e esse será o assunto da próxima matéria do blog.

28/08/2018   publicado por: Condac Condomínios
Tags: #previsaoorcamentaria #gestaofinanceira
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